O que a telemedicina tem a ganhar com o 5G e a virtualização das redes

O que a telemedicina tem a ganhar com o 5G e a virtualização das redes

Uma das maiores crises de saúde mundial de todos os tempos, que vivemos neste ano de 2020, chamou a atenção para a necessidade de desafogar, por meio do atendimento digital, os consultórios, clínicas e hospitais, que se tornaram locais sensíveis para evitar a contaminação ainda maior pela covid-19. Em questão de dias, uma revolução na telemedicina chegou na Ásia, Europa, Estados Unidos e também no Brasil, onde o Conselho Federal de Medicina e o Ministério da Saúde deram aval provisório para a prática – para desafogar o movimento nos hospitais – e uma série de empresas disponibilizaram serviços na área.

Hoje, o modelo funciona dentro da regulamentação federal e com algumas restrições, com aplicativos específicos, baseados em internet, mas que não possibilitam, com a segurança que o assunto requer, diagnósticos ou exames mais avançados, excluindo as orientações que o profissional pode passar a seu cliente.

Agora, pare por um momento e imagine esta relação digital médico-paciente transportada para o futuro próximo e sendo suportada por uma rede 5G, muito mais rápida, estável e responsiva do que as tecnologias que estão em uso hoje – uma rede 4G, uma conexão por fibra ótica ou por wi-fi.

O potencial transformador da medicina virtual será imenso: hospitais 100% digitais abrigarão profissionais médicos de diversas especialidades, com a capacidade de realizar consultas para pacientes em qualquer canto do mundo, munidos de dispositivos de internet das coisas como câmeras de alta definição, equipamentos de realidade virtual, como óculos, sensores e joysticks, enlaçados a medidores de pressão arterial, batimentos cardíacos, temperatura – tudo com altíssima velocidade, estabilidade total e atraso zero.

Será ampliada a possibilidade de analisar a pessoa por imagem ou ter acesso a ultrassonografias, radiografias e outros procedimentos em resolução 8K. Acabarão as distâncias físicas. Seu médico poderá ser até mesmo um profissional de outro país.

E isso vai funcionar não só nos consultórios: um atendimento de emergência feito por uma ambulância poderá integrar os equipamentos de suporte à vida do veículo aos da rede hospitalar ou do médicos responsável em real time permitindo o atendimento muito mais eficiente e assertivo.

Da mesma maneira, esses aparelhos poderão ser interconectados entre unidades de saúde, melhorando a troca de informações médico-paciente e também entre profissionais. O paciente poderá, até mesmo, ser atendido por dois profissionais ao mesmo tempo ou solicitar uma segunda, terceira opiniões de outro médico, tudo online, com qualidade máxima.

Um aspecto importante a ser destacado no impulso que a telemedicina vai ganhar com o 5G é a democratização da saúde de excelente qualidade, cujo acesso se dará a muito mais pessoas e sem a necessidade de deslocamentos. Inclusive expandindo a chance de populações mais carentes ou distantes dos grandes centros poderem se conectar a serviços de primeira linha. Descentralização será a palavra chave: a medicina de ponta deixará os grandes centros urbanos e estará acessível a milhões de outras pessoas.

Segundo o relatório “From Healthcare to Homecare”, do ConsumerLab da Ericsson (leia mais: https://www.ericsson.com/en/reports-and-papers/consumerlab/reports/transforming-healthcare-homecare), as principais aplicações que irão gerar novas receitas são os aplicativos dedicados aos pacientes e à interface com o hospital, cerca de 62% e 30%, respectivamente. O impacto, portanto, será justamente nos cuidados com a prevenção e acompanhamento, sobretudo de condições crônicas. Essa transformação em como é realizado o atendimento médico irá mudar as interações entre ambos, o que aproximará os pacientes dos profissionais da saúde.

Em outro relatório produzido pela Ericsson, intitulado “5G Business Potential”, está prevista uma oportunidade de receita de US$ 76 bilhões em 2026 para operadoras que lidam com a transformação da saúde com 5G. Para realizar esse potencial, é essencial a colaboração entre diferentes atores. As operadoras de telecomunicações são fatores fundamentais para o futuro ecossistema de assistência médica hiperconectado, com tecnologias como os rádios 5G, divisão e virtualização de redes, nuvens distribuídas e cobrança avançada sendo vital para permitir serviços de saúde remotos avançados. Saiba mais: https://www.ericsson.com/en/blog/2019/5/ericsson-and-partners-demonstrate-5g-based-healthcare-cooperation-dtw

Virtualização da rede no 5G garante a qualidade

“A distribuição dos recursos da medicina de ponta não é homogênea, e quando falamos de especialistas, isso é ainda mais concentrado. O 5G pode habilitar atividades de diagnóstico e tratamento em comunidades remotas”, aponta Paulo Bernardocki, diretor de produtos e tecnologia da Ericsson.

Ele considera que procedimentos como envio de imagens e vídeo em tempo real já se fazem com o 4G, mas o 5G vai trazer uma capacidade muito maior para essa área, assegurando ainda a consistência da conexão. “Imagine um exame como um ultrassom, sendo feito por muitos pacientes, numa unidade remota, por 4G. Ou ele vai funcionar mal, com os movimentos do médico não acompanhados pelo dispositivo remoto ou baixa qualidade de imagem, ou vai parar na hora em que começar o jogo de futebol”, compara.

Aqui entra uma característica nativa das redes de quinta geração e fundamental para serviços críticos como a medicina remota e os atendimentos de saúde: a virtualização.

Na prática, uma infraestrutura física pode se desdobrar em várias outras virtuais, cada qual disponibilizada com velocidade e latência específicas para o tipo de aplicação, crítica ou não. O conceito é totalmente contrário ao do 4G – “uma rede só para todo mundo”, explica o executivo.

Por exemplo, todos os serviços de telemedicina podem ser atendidos com uma rede virtual específica para usos de interesse público, e ela não terá queda de qualidade mesmo que milhares de outros usuários estejam conectados ao mesmo tempo e consumindo serviços não críticos, como streaming e entretenimento, em outra rede virtual.

Fisicamente, os dois tipos de conexão estarão passando pela mesma estrutura física, mas mesmo que muitos clientes se conectem para usar aplicações de entretenimento, a rede entenderá o tráfego e automaticamente fará compensações (por exemplo, degradando um pouco a qualidade de imagens de streaming), de modo a preservar plenamente a parte crítica.

Serão as operadoras que definirão as chamadas classes de serviço, cabendo a elas comercializar cada um destes tipos de redes virtuais tendo em vista a reserva de recursos para cada área.

Cada tipo de usuário será identificado automaticamente pelos enlaces de rede, que “saberão” como tratar cada tipo de requisição, alocando o recurso correto com o uso da automação e da inteligência artificial.

LEIA MAIS: Como o 5G vai transformar os cuidados com a saúde https://sociedade5g.com.br/como-5g-transformara-os-cuidados-com-a-saude/

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